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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Dialectos de ternura

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Toda a gente sabe que qualquer casal com mais de duas noites de relação gosta de adoptar os chamados petit noms. É ridículo e irracional, mas uma realidade irremediável.
O «amor» passa a «amorzinho», o «amorzinho» evolui para «morzinho» e o «morzinho» termina num medonho «môr». Depois há o «bebé», o «paixão», o «príncipe» e «princesa», o «lindinho» e «lindinha», o «pitchipu», o «pitecu», ou o «bichinho». Eis senão quando, chegam os nomes de comida: «favo-de-mel», «bomboquinha», «biscoitinho», «bola-de-berlim», etc. Tudo de uma variade sem fim e consoante a imaginação de cada um. E tudo, claro está, muito doce, não fosse o amor azedar.
Quando o rol de piroseira parece ter terminado, já depois dos níveis de sedução estarem abaixo de zero, chegam os nomes de animais. Que também são amorosos: «lontrinha», «foquinha», «leitãozinho». Já estou a imaginar «Sim meu passarinho, já vou pa casinha. Não, claro que me 'tou a portar bem, minha empadinha. O teu morzinho não faz maldadezinhas ihihihih». O sufixo «inho» é totalmente indispensável em qualquer frase. Comunicam num novo dialecto que só os próprios percebem. As palavras, para além dos sufixos, ganham também novos tons fonéticos mais melosos e queridos. Enfim... Desligado o telefonema, volta tudo ao normal, porque este palavreado só é para usar com a cara-metade, não em sociedade. Valha-nos isso.
O amor é assim, deixa os apaixonados estúpidos. Conheço uns tantos. Eu própria, sem ser disparatada, também o consigo ser. É como se diz: as relações amorosas são como a alimentação, exageros na dose e ficamos com problemas de coração.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Lucky me

Acordo às 3h28 da madrugada, telemóvel a vibrar, com a seguinte mensagem da R.: «Estão-me a ligar, a perguntar por ti. O gajo diz que és a mulher da vida dele». Adormeço segundos depois, sem responder.
Acordo às 4h21 da madrugada, telemóvel a vibrar, com a seguinte mensagem da R.: «Ó V. ele diz mesmo que és a mulher da vida dele!». Adormeço segundos depois, sem responder.

É. Deve ser isso. Se calhar este ser de nome incógnito é o-homem-da-minha-vida e eu aqui a ignorá-lo por completo. Valham-me todos os deuses!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

sábado, 30 de maio de 2009

Good morning

Acordei, liguei a televisão na SIC e pensei: este canal insiste em escolher gajas com ar de virgens para apresentadoras de programas que têm como público alvo criancinhas, e que posteriormente se munem de tatuagens e mamas de silicone. E isto não é uma teoria infundada.
Enfim.

A gerência hoje veste de gala. Depois conto queridos!

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Questão do tempo

Não há tempo para nada, estamos todos cheios de pressa: não há tempo para ler, nem telefonar a um amigo a perguntar só se está tudo bem. Como não há tempo, as pessoas por vezes ligam-se e dizem: "Olha, só te liguei para te pedir um favor" e depois de o fazerem, invariavelmente desligam prometendo que para a semana iremos almoçar. E até iríamos se houvesse tempo, mas não há. E assim não vamos almoçar. As pessoas só têm tempo quando estão presas no trânsito ou numa situação em que são obrigadas a ter tempo, tipo presas no trânsito. Ou então à espera do autocarro. Ou à espera da sua vez na consulta. Ou à espera de ser atendido na fila longa. As pessoas têm tempo quando estão à espera. É um tempo forçado, como se fosse uma prisão domiciliária, uma liberdade condicional, mas é tempo. Se não houvesse filas de trânsito ou do talho, ninguém teria sequer este tempo, que não é bem aquele tempo no seu estado mais puro, como o tango de Gardel.
Às vezes ligam-me pessoas que parecem ter tempo para mim e interromperam o seu dia para me perguntar como é que estou: "Que é feito de ti que nunca mais disseste nada?"; que me têm visto aqui e ali, que estou em grande. Perguntam-me se eu tenho falado com aquele amigo que ambos temos em comum — "Ainda andas com aquela?" — se estou mesmo bem, se sempre me mudo, se é verdade o que lhes haviam dito, até que de repente, abrupta mente me dizem:
"Olha! Chegou a minha vez, estão a chamar o meu nome nas colunas!"; que têm de entrar, mas que ligam mais tarde. As pessoas que dizem que ligam mais tarde nunca ligam mais tarde. As pessoas que dizem que ligam mais tarde quando ouvem o seu nome nas colunas são iguais às que dizem que para a semana iremos almoçar. Não vêm almoçar. Não vão ligar mais tarde. Não vão mais nada.
As pessoas sem tempo não o procuram porque se habituaram a não o ter. E quando alguém se lhes abeira e anuncia que tem tempo para lhes dar, assustam-se com essa perspectiva e dizem logo que não têm tempo para isso: "Ai que tenho isto para fazer, ai que não posso, ai que não me dá jeito, ai que não consigo, ai que é impossível!". As pessoas sem tempo não querem tê-lo e por isso o matam. Há pessoas que passam a vida a matar o tempo e deviam ser presas por isso como um qualquer homicida. Porque aí, voltaríamos a ter tempo, como se estivéssemos numa fila de trânsito, à espera que a coisa ande.

Alvim in Metro

terça-feira, 10 de março de 2009

Ai "Bánessá"

Pergunta: O que acha em relação ao casamento homossexual?

Façam o obséquio de se encaminharem aqui.

Digo, desde já, que fiquei surpreendida pela positiva com a open mind dos homens do desporto português. Tudo muito tolerante, sim senhor. Menos o Jorginho Jesus no fim a destoar (com o seu ar de engatatão e uma maneira peculiar de dizer «ninguém quer ver o lance da grande penalidade q'a gente tem aqui pa mostrar») que ficou um pouco aflito com a pergunta, mas lá se safou.
Agora a santa da Bánessá é que tinha que ser do contra. Já se tinha mostrado intransigente aquando os Olímpicos de Berlim, presentemente idem aspas.
E agora, caros leitores, perguntam vocês: «Mas um gajo para comer ali a Bánessá tem que gostar minimamente de homens, não é?», ao qual a V responde cheia de convicção: é verdade meus grandes queridos!
Muahahahahah!!!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Estranhezas


Há pessoas estranhas e pessoas estranhas! Há aquelas boa onda, com o seu quê de mistério que lhes acenta que nem uma luva. Contudo, há aquelas pessoas que à partida parecem seres normais, mas que depois são demasiado esquisitos, incompreensíveis. Não falo de estranhos do tipo excêntrico (poetas, actores, solitários, vagabundos, loucos...). Não falo de estranhos do tipo doidos varridos, mas saudáveis. Não falo de raças, cores, bonitos, feios, gordos ou magros. Falo de pessoas dramáticas, mesquinhas, mal-intencionadas, desiquilibradas, com a mania da perseguição, maníacas, oportunistas. Os loucos que são apelidados como estranhos acreditam fatalmente nas suas realidades, agora quem tem uma mente (aparentemente) sã, devia comportar-se como tal. Falo dos que pensam ter o rei na barriga, dos que tentam agradar a toda a gente, dos que se acham o centro do Universo. Wake up strange people! Eu sou o centro do Universo, logo vocês não o podem ser.
E pronto, era apenas isto que eu tinha a declarar.