domingo, 31 de janeiro de 2010

Externato Santa Joana

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O facebook para além dos desnecessários unfriends, também nos possibilita descobrir pessoas que já não vemos desde pequenos. É o caso do grupo que criaram para os ex-alunos da minha primeira escola, que o foi desde o infantário até ao sexto ano. É engraçado ver como aquelas pessoas se tornaram.
Aqui entre nós que ninguém nos ouve, devo confessar que fui criada num colégio de freiras. Por muito que isso afecte a minha reputação de pessoa cool, a verdade é esta: sou uma menina de colégio. Os meus pais acharam por bem dar-me uma educação num colégio privado... mais, num colégio privado religioso, pronto. E eu só posso agradecer-lhes por isso. Lembro-me com saudade dos tempos que passei por lá, porque foi lá que conheci grande parte dos meus melhores amigos. Lembro-me da professora da pré-primaria, da sala onde íamos ver as velhinhas cassetes de vídeo, da outra onde fazíamos os desenhos que guardo até hoje religiosamente. Lembro-me da sala do primeiro ano, da irmã Alzira que me ensinou a ler e a escrever e, no fundo, contribuiu para muito do que sou hoje. Lembro-me da irmã Rosário, já no quinto ano, que apagava o quadro de ardósia energicamente e aos pulos, para nos mostrar como se fazia para ficar impecável. Lembro-me também que não gostava dela, era má, gostava de pegar na caderneta para marcar mais e menos e obrigava-nos todas as manhãs a rezar em conjunto. Depois havia a irmã Graça, essa sim, uma querida. Tudo o que sei de português devo-o, em grande parte, a ela. Era uma belíssima professora.
São muitas memórias. Fazíamos imensos passeios de estudo, imensas festas com coreografias super originais para apresentar aos pais e à comunidade escolar no palco, no campo de futebol ou no ginásio; tínhamos uma quinta com árvores de fruto para onde nos levavam a fazer educação física e depois, haviam as cerimonias religiosas na capela do colégio, a parte que menos gostávamos mas que, de certa forma, também tenho saudades. O que também não gostávamos era da farda. Todos vestidos a rigor, todos os dias, todos iguais. Era uma seca, porque principalmente as meninas queriam levar as suas roupas mais bonitas.
Outra das coisas que lá aprendi - e que me recrimino por não ter continuado - foi tocar piano. É triste, mas hoje não sei tocar nem parte de uma partitura musical. Consigo ler as notas, mas nada do que fazia na altura. No fim do ano, participava sempre na Audição Musical e enchi-me de orgulho quando fui eu a encerrar o espectáculo. Os meus pais, sobretudo o meu pai, adorava que eu tivesse continuado neste mundo.
Enfim! Como percebem facilmente tive uma infância feliz e saudável. Não fui rebelde e devo ter dito a minha primeira asneira quando cheguei ao secundário. Fui, em suma, uma menina de colégio e uma menina dos papás. Tinha amigos, fui sempre um ser sociável e gostava de ir à escola. Aliás, a minha mãe conta que eu chorava se, por alguma razão, ela não me pudesse levar. Da educação religiosa guardo pouco, apenas o mais importante: os valores.

3 comentários:

Tiago disse...

ahah lembro-me de quando eras assim :D esse nariz continua igual (so 5 segundos) LOL

Anonymous disse...

Olá eu sou uma actual aluna do 5ºano A do Santa Joana. Devo informar a senhora, que a irmã Rosário ainda continua a dar saltinhos em matemática e em E.M.R.C, para apagar o quadro,e ainda continua a colocar mais e menos na caderneta.
A irmã Graça está reformada. Ainda continua a ser sempre muito querida e amiga de todos.Só uma pergunta, conheceu a irmã maria de lourdes?
Obrigada.Beijinhos

V. disse...

Perfeitamente, não foi minha professora mas lembro-me dela :)

beijinho e aproveita esses tempos no colégio, vão deixar saudades

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