|Kate Moss|
Antigamente, numa outra vida dentro desta, dizia que não trocava um amigo por um amor. Com o passar do tempo deixei de o dizer; contudo, não deixei de o sentir. Hoje em dia percebo que é uma frase feita e como todas as frases feitas esta tende a ser falaciosa. Agora prefiro dizer que não sei, que depende de muita coisa, que depende do amor. Depende muito mais do amor do que do amigo, porque se é amigo, é-o no sentido mais verdadeiro e puro. Sempre tive uma certa dificuldade em aceitar a utilização de palavras desnecessariamente: dizer um amo-te, quando não há amor; chamar amigo, quando não há cumplicidade para isso.
Antigamente, numa outra vida dentro desta, tive o privilégio de conhecer pessoas que davam e recebiam sem medos. Os meus amigos. Aqueles que me ensinaram a ser uma pessoa boa. Aqueles que partilharam sorrisos, alegrias, lágrimas e tristezas. Aqueles que me apoiavam sem concordar comigo. Aqueles que sem julgar, diziam-me quando estava errada. Aqueles que me contavam os seus medos e segredos. Aqueles que me conheciam na verdade e na mentira. Pessoas com ideologias diferentes e com vidas muito diferentes agora. Todas elas com uma coisa em comum: a mesma forma de estar na amizade. Quando nos encontrámos, o tempo não passou e pode estar quem estiver, porque o abraço é sempre demorado e apertado. Eu fui habituada com estas pessoas. Fui habituada a lidar com gente de coração grande e acções imperfeitas. Aprendi a dar e a receber com elas. E, acima de tudo, aprendi a ouvir, a aconselhar, a tornar-me na mais competente conselheira sentimental. Cresci depressa e cedo, ou melhor, crescêmos, todos juntos.
Antigamente, numa outra vida dentro desta, ele dedicou-me esta música, cantei esta com ela vezes sem conta e sem nos cansarmos. Com os quatro restantes não tive banda sonora, mas tive momentos de entendimento profundo, por vezes não expresso em palavras. De todos guardo recordações incríveis de vivências que parecem de outro tempo. E hoje tenho saudades, saudades sem tristeza. Saudades de um tempo que jamais irei viver. O nosso tempo.
1 comentário:
Digo sempre que quando não se tem nada para, o melhor é estar calado. Por isso venho aqui tantas vezes e não comento.
Mas hoje tem de ser porque é bom quando lemos pessoas que nem conhecemos e pensamos 'era mesmo isto que queria dizer'.
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