sexta-feira, 1 de maio de 2009

É pegar ou largar


[Adriana Lima]
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Li agora esta crónica da Margarida Rebelo Pinto de um tema sobre o qual também já expressei a minha opinião: príncipes encantados. Admitamos que a rapariga de vez em quando diz umas coisitas acertadas:

«O Príncipe encantado afinal existe? Será que vale a pena suspirar pelo Homem Ideal? Ou esperar que aquele que pensamos ser o homem da nossa vida nos venha bater à porta? Os contos de fadas dizem que sim, mas os contos de fadas estão fora de moda. As princesas já não passam o dia fechadas em castelos, já não há dragões nem bruxas de verruga no nariz e as madrastas maléficas são como os cigarros: estão out. O cavalo branco foi substituído pelo carro, o castelo de sonho por um T3 e já ninguém acredita nem em ter muito filhos, nem que pode ser feliz para sempre.
As narrativas clássicas são perversas: os amantes nunca estão juntos, e se tão raro momento de sorte acontece, logo pagam as favas e com juros. O perigo espreita de cada vez que uma donzela se apaixona e só o homem tem um papel activo: é ele que tem de lutar contra monstros e inimigos, de ultrapassar pontes incendiadas e de subir a torres sem escadas, enquanto a desgraçada espera, espera, espera, bordando, cantando e aborrecendo-se de morte. Pergunto-me como é que em nenhuma destas histórias houve um príncipe suado, faminto, despenteado, roto e exausto, que ao chegar perto da sua querida não tenha dado com ela morta de tédio. Antes a morte do que tal sorte. E de cada vez que ela tenta escapar, cabe-lhe o destino de Rapunzel, que foi condenada a vaguear por montes e desertos, sem tecto nem honra. Já a mãe de Rapunzel fora castigada pelo pecado da gula ao invejar as delícias da horta no quintal da bruxa quando estava grávida, razão pela qual teve de entregar a menina à vizinha malvada. A única ilação interessante desta história é o reencontro dos dois apaixonados: ela consegue curar a cegueira do príncipe com as suas lágrimas de amor. Isso sim, pode ser visto como um símbolo de redenção, aquela velha ideia de que as mulheres salvam os homens, de que eles por elas querem sempre ser pessoas melhores.
O verdadeiro príncipe é o que não precisa de lutar pela sua princesa todos os dias; ele chega a casa e junta-se a ela para resolver os problemas que forem precisos. Está presente, todos os dias, para o que der e vier. E quando é preciso matar um dragão ou enfrentar uma bruxa; ambos concertam uma estratégia para repor a ordem. O verdadeiro príncipe não está sempre a precisar de se ausentar para pensar bem naquilo que quer; ele sabe o que quer e, uma vez tomada a decisão, segue o seu instinto com coerência e consistência.
Talvez a sua maior qualidade, ao contrário dos príncipes confusos e indecisos, é não ter medo de ser feliz. Ele sabe que ser feliz dá trabalho, requer investimento, obriga a tempo e apela à disciplina. Ele tem consciência de que a sua donzela, tal como qualquer outra mulher, é complexa, mimada, caprichosa, por vezes infantil, não raro insegura e de vez em quando insuportável. Mas ele também sabe que gostar dela é aturá-la com os defeitos e aproveitar ao máximo as suas qualidades.
O verdadeiro príncipe tem poucas dúvidas, opera segundo o princípio da determinação. Já os outros, os que andam a brincar ao Homem Ideal, são escravos da hesitação; precisam sempre de mais um tempo. Meus amigos, tempos dão-se no futebol. Um homem que se preze, ou quer ou não quer. É pegar ou largar.»

3 comentários:

Joana M. disse...

Já os outros, os que andam a brincar ao Homem Ideal, são escravos da hesitação; precisam sempre de mais um tempo. Meus amigos, tempos dão-se no futebol.Está explicado.
(não sou muito fã de Margarida Rebelo Pinto, mas de vez em quando diz coisas acertadas, sim.)

Marianinha disse...

Não gosto lá muito de Margarida Rebelo Pinto, mas concordo, às vezes até diz coisas acertadas.

Agora percebo o que é que me correu mal, acreditava piamente naqueles príncipes encantados que ela diz já não existirem e serem verdadeiros (confesso que encontrei um assim). Mas ela tem razão, o verdadeiro principe não devia ter medo de ser feliz e devia operar segundo o principio da determinação.
Apaixonei-me por um príncipe à moda antiga, daqueles que se diz já não existirem!
gostei desta crítica :) *

Aubergine. disse...

"O verdadeiro príncipe tem poucas dúvidas, opera segundo o princípio da determinação. Já os outros, os que andam a brincar ao Homem Ideal, são escravos da hesitação; precisam sempre de mais um tempo. Meus amigos, tempos dão-se no futebol. Um homem que se preze, ou quer ou não quer. É pegar ou largar"

Ora lá está!

Beijinho V, econtramo-nos no Marés Vivas então :D *

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