sábado, 14 de março de 2009

Tocar nas feridas

[Pirelli Calendar]
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Um dos últimos tabus do Ocidente é o tema da infidelidade. É sabido que os homens são, por norma, mais infiéis que as mulheres. Por uma questão de genética afirmam os cientistas, por uma questão de demonstrarem a sua virilidade diz o senso comum.
Contudo, a meu ver, os homens falam é mais. E às vezes mais, é demais. Ao quererem exibir os seus troféus, esquecem-se das regras basilares do bom senso. Nós mulheres que temos a fama de faladores não lhe tiramos o proveito, uma vez que guardamos as facadinhas para nós, ou, no máximo, partilhamos com uma e outra amiga mais chegada.
Depois há a questão fatal da cultura. Uma sociedade dita monogâmica não vê com bons olhos esta prática. A infidelidade não é uma regra, mas uma opção. Ninguém nos obriga a cumprir como se fosse um dever, é uma escolha de quem acha não ter nada a ganhar e tudo a perder ao pular a cerca. Verdade seja dita, uma pessoa que sente a necessidade de trair é porque algo não vai bem na relação.
Não pretendo defender nem julgar a traição, apenas constatar factos. Sejamos portanto realistas: se um marido dá uma facadinha no matrimónio, então para o zé povinho a mulher é que não o conseguia satisfazer. Por sua vez, se for a mulher a cometer a acção é vista como uma pecadora, para não ir mais longe e invocar os apelidos de que está sujeita. Não é novidade, este hábito já tem raízes profundas na sociedade.
Se repararmos bem o Homem é dos únicos seres vivos que não se dá à poligamia. E daí, até que há muitas excepções. Os muçulmanos, por exemplo, não dizem que o que é bom é ter muitas mulheres? E em algumas culturas passa-se precisamente o contrário: é a mulher que o diz. Como li algures aqui à tempos, no Tibete as mulheres é que mandam e é que podem ter mais do que um marido. A vantagem da poligamia é, efectivamente, acabar com o problema da infidelidade. Na monogamia está tudo o mundo sujeito a sofrer e a cometer. Que ninguém diga: desta água não beberei!
Seja como for, os casos de traição de mulheres e homens estão hoje em pé de igualdade. No entanto, apesar da emancipação feminina dar direito a quebrar algumas regras, não me parece que ali o tio António da mercearia levasse a bem a traição da sua Maria com o Jaquim do talho.
Sabem que mais? Tem que haver lealdade acima de tudo, mais no sentido de sinceridade do que de fidelidade. Lealdade com nós mesmos, com os nossos princípios e com aqueloutro alguém com quem temos o compromisso, se este existir.
..
«Aquele de entre vós que está sem pecado que atire a primeira pedra!»

7 comentários:

Cat disse...

Acho que um dos pilares mais importantes de uma relação é a fidelidade; um outro será a sinceridade. E como tal, considero que quando há traição (seja de que forma esta se trate) deve dizer-se ao companheiro que algo aconteceu. Depois disso, ou o "perdão" ou o "nunca mais"...
Os homens fazem das suas mas as mulheres tambem não sao santas! :P

Gostei do texto, dos pontos de vista, e do teu blogue em geral! Parabens! :D
Venho mais vezes!

CAT*

lardopensamento disse...

sinceridade e partilha. nada+.

Alexandra disse...

Muito sinceramente, é por isso que não acredito em relações. Acho que é preciso gostar muito, mas mesmo muito de uma pessoa para que haja uma relação longa, saudável e feliz.
Até encontrar a tal pessoa a quem me queira 'prender' vou encontrando outras, importantes, mas nao tão únicas e especiais.

Beijinho *

Nuno, apenas Nuno. disse...

Tu escreves de uma maneira V... :)
Eu acho que ambos tem razão. Os homens falam demais mas também pensam mais com a cabecinha de baixo. Por isso..
E infidelidade é algo que não me cabe na cabeça :s Nunca na vida perdoaria algo assim. Se trairia? Tenho 99% de certeza que não mas como costumo dizer.. nunca digas nunca.
*

Davie disse...

Verdades. Muitas verdades que enumeraste neste texto. Sem dúvida, que a fidelidade e a confiança estão na base de qualquer relação. (:

madu disse...

tudo o que disses-te faz sentido V. concordo com tudo, haja lealdade acima de tudo.

Obrigada pelo comment. Eu adoro pop art:D
beijinho

Joana M. disse...

não temos de ser fiéis para sermos leais para com os outros, ou mesmo para com nós mesmos?
ou então justifico assim o (meu) medo pela traiçao :p

gostei, tal como gosto sempre.
as crónicas de V continuam ;D

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