[Snejana Onopka, Sasha Pivovarova and Lily Donaldson for Vogue US]
A minha vida sempre foi um sucessão de encontros felizes e desencontros difíceis. Sempre encarei tudo de frente, sempre tentei contornar os obstáculos da melhor forma. Não sei se fui capaz de o fazer bem em todas as ocasiões, mas tentei. Quando se trata de pessoas, não gosto de deixar assuntos pendentes, não gosto de meias palavras, não gosto do não sei nem do talvez. Ou é, ou não é.
Cada vez mais acredito que o melhor que a vida nos traz é quando não planeámos nada, quando não estamos à espera de nada e, no fundo, à espera de qualquer coisa. Ontem, mais uma vez, o Universo trouxe-me uma boa surpresa. Trouxe-me aquela que me ensinou tudo sobre a palavra amizade, aquela que fez de mim muito, ou quase tudo, daquilo que sou hoje. Encontrei-a tão perdida como eu. Coincidentemente e ironicamente acabou a relação que mantinha no mesmo dia que eu.
Foi bom perceber que não estou assim tão sozinha. Não que queira de maneira alguma vê-la triste ou de coração partido. Foi bom no sentido em que me revi nas palavras dela. Ela começava as frases e eu acabava-as. Era a mesma angústia, o mesmo vazio, o mesmo sentimento de perda e impotência. O mesmo riso sem brilho. Não come, não dorme, não quer pensar em estar com mais ninguém. Tal e qual eu mesma. Teorizámos muito sobre os homens, sobre a forma frágil que têm de amar que se enrola na posse, sobre a forma fácil com que ultrapassam as coisas, sobre tudo o que damos de nós, tudo o que partilhámos, para no fim acabar como se nada tivesse acontecido. Martirizá-mo-nos por só darmos valor quando perdemos, por nos humilharmos quando o fim se aproxima, por termos deixado que o amor falhasse em nós.
Temo por ela, mais do que por mim. Assim como ela, eu já me atirei de uns quantos precipícios. Mas ao contrário dela, continuarei a acreditar no amor fácil e sem um cavalo branco. A minha atitude é de aceitação e de esperança em melhores dias sem réstia de passado. A M. vai fechar -se, se as coisas não se ficarem bem. Como eu estive durante anos.
Depois de me despedir da M, passei o resto da tarde com a D. a L. e a S. Contaram-me as novidades da viagem do fim-de-semana, contei-lhes o meu e fizemos planos para o meu aniversário que se aproxima. Decidimos por fim fazer um serão de meninas em casa da S. Ela cozinhou para nós uma improvisada e deliciosa massa, fomos tomar café, passear e rir dos nossos males. Acabámos a noite a comer chocolate enquanto víamos o irresistível Hank na Californication.
E agora, aqui estou eu a escrever para libertar a alma, depois de uma noite mal dormida. Não gosto do não sei, mas realmente não sei como estou. O meu estado de espírito é indefinido. Sei, isso sim, que apesar de tudo sou uma miúda de mente e afortunada, porque tenho as melhores pessoas na minha vida.

5 comentários:
essa sensação de ter outra metade que nos completa por sentir aquilo que tambem estamos a sentir, é boa e ajuda muito :)
e este post fez-me lembrar o filme Serendipity, que é sobre acasos, encontros e desencontros!
beijinho V*
Serendipity :')
Um beijinho bom V*
concordo com a mariana, essa sensação é bastante boa!
tenho visto essa série, também.
vai correr tudo bem, V *
"Sei, isso sim, que apesar de tudo sou uma miúda de mente e afortunada, porque tenho as melhores pessoas na minha vida." - E, com essas pessoas e tua mente, - que sempre me pareceu forte - vais ultrapassar tudo isto. *
(Californication é a minha série favorita depois de L Word. Apesar de também adorar o Hank, para mim, irresístivel, é a Shane. :p)
o 'não sei' é um grande amigo meu.
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