Acho que nunca tive uma relação duradoura que começasse com o mítico cafézinho. Acho não, tenho a certeza. Sempre achei que as coisas deviam surgir naturalmente, por casualidades da vida, sem aquela coisa da obrigatoriedade do momento e do desconforto de estar sentada numa esplanada com um perfeito desconhecido que nos abordou com conversa manhosa. A verdade é que dá trabalho construir uma relação, quero dizer, engatar uma pessoa, e eu nunca tive paciência, ou vocação para me dar a esse trabalho. Por isso, tive grandes pausas entre as minhas relações. Não fui uma adolescente muito namoradeira, nem sequer me preocupei em sê-lo. Cometi algumas loucuras, sim, mas sempre levei a vida e, principalmente, os sentimentos muito a sério.
Por outro lado, talvez me tenha desiludido com os homens demasiado cedo. É um cliché barato: a adolescente apaixonada a descobrir o mundo do amor e a amaldiçoa-lo, porque afinal o sapo nem sempre se transforma em príncipe. Felizmente passou a fase anti-homens. Percebi que simplesmente não podemos obrigar ninguém a estar connosco ou a gostar de nós, só porque nós o desejamos. Compreendi, também, que as pessoas mudam e essa mudança pode destruir o amor. O que não quer dizer que ele não tenha sido real no passado. A meu ver, a adolescência é preponderante na forma como nos tornamos, ou não, adultos saudáveis no que ao amor diz respeito. Tive capacidade de resiliência e discernimento, mas mais do que isso tudo, soube esperar e tive a grande sorte de que, sem fazer nada, o amor me viesse bater à porta e de não fechar o coração para ele entrar.
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