© Roy Lichtenstein
O problema do final das relações é que o sentimento não acaba na mesma medida que, no início, cresce e multiplica. O problema no final das relações é que vai haver sempre um elemento em desvantagem. Vai existir sempre um protagonista a sofrer mais. Para o mundo ser perfeito, o amor devia acabar gradualmente dos dois lados. Na nossa realidade imperfeita temos de dar uns quantos tropeções até que este se esgote de parte a parte. E para a parte que sai profundamente lesada - um lugar comum, mas não resisto a dizer que é maioritariamente a mulher - a rejeição é quase insuportável, as saudades quase matam e a ilusão de um recomeço quase cega. Quase. A sorte é que nos ficamos pelo quase. Alguém dizia que já ninguém morre de amor. E é verdade. Suportamos, não morremos e a cegueira passa com o tempo. No fundo, a principal dificuldade a enfrentar no final das relações, é perceber que afinal os laços não eram assim tão fortes. Depois, queremos penitenciar-nos pelos erros cometidos e acreditamos que a única saída para a felicidade depende de quem perdemos. Mentira. Há muita vida e muito mais amor neste mundo. Claro que ninguém disse que era fácil encontrar um novo amor e ultrapassar uma desilusão amorosa. Aliás, o problema é que as soluções nunca vêm no momento certo; é sabido que custam muitas lágrimas, demasiado sofrimento e tempo incalculável. Mas conforta saber que tudo ameniza e/ou passa. Tudo. Haja lucidez e abertura para isso.
2 comentários:
E eu tenho esse livro " Já ninguém morre de amor "
A saída para a felicidade depende de nós, só de nós. Não depende deles, dos amigos, do xanax e do chocolate. Felizes daqueles que percebem isso.
Belo post
Olá :)
Já algum tempo te sigo anonimadamente, mas sigo Escreves coisas interessantes, nunca comentei porque não calhou mas hoje tive mesmo que o fazer, talvez porque me tenha identificado imenso com o que dizes, escolheste as palavras mais certas para falar sobre este assunto e muitas vezes são estas as palavras que eu quero interiorisar na mente mas não consigo. Gostei imenso mesmo e vou continuar a vir aqui ao teu espacinho :)
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