segunda-feira, 8 de junho de 2009

Planet of women

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Sou feminista assumida, como já disse aqui neste blog, vivesse eu noutras épocas e era verem-me a entrar em qualquer luta pela igualdade dos direitos das mulheres. No entanto, dou a mão à palmatória. Ao olhar para o meu umbigo, que é como quem diz, ao analisar as minhas falhas, concluí com alguma relutância que somos na realidade, criaturas deveras confusas. Ora por causa da TPM (tensão pré-menstrual) que nos deixa sensíveis, depressivas e frágeis, com uma necessidade de carinho inconcebível e que nos faz consumir chocolate como se não houvesse amanhã; ora por causa do mulherês, a tal história de dizermos uma coisa e pensarmos outra; ora por causa de termos nascido com um bónus extra de capacidade para fazer birras e dramas.
Se é verdade que os homens têm um tempo de vida útil muito curto, uma vez que são crianças até aos trinta e que a partir dos quarenta e poucos começam a ficar senis, também é verdade que nós mulheres, apesar de termos uma maior maturidade mais cedo, somos muito mais picuinhas e infantis sem termos noção disso. Um bom exemplo disso, sou eu própria: o meu namorado ontem disse que eu era um bocado complicada. Um comentário inocente e nada ofensivo na óptica dele, mas que despertou em mim o mais profundo desgosto. Era ver-me a chorar baba e ranho nos instantes seguintes.
Por Deus, será possível que não podemos ter um bocadinho mais do lado práctico e menos sensível dos homens? Eu que me gabo de ser uma gaja super racional, há alturas que não sou nada. Eu que me gabo de ser uma gaja hiper-compreensiva, há alturas que sou precisamente o oposto. Eu que me gabo de ser uma gaja pouco dada a dramas, há alturas que sou a verdadeira drama queen. Só posteriormente, quando já só estou eu, penso de mim para mim: "És mesmo anormal".
É sabido que sou humana e como tal tenho falhas como qualquer outra pessoa. Sou complicada na medida em que as mulheres têm o direito de o ser, mas considero-me uma pessoa de mente aberta e bastante acessível. Acredito no diálogo, na verdade e no bom senso, acima de tudo o resto. E também acredito que o Mundo sem o mistério da mente feminina seria um lugar menos bonito.

5 comentários:

Nuno R disse...

Essa do "Se é verdade que os homens têm um tempo de vida útil muito curto, uma vez que são crianças até aos trinta e que a partir dos quarenta e poucos começam a ficar senis" é que ficou a estragar tudo. Mas não me apetece alongar, e acho preferível não o fazer.
No resto acho que tens razão, e é normal que te sintas assim. È a confrontação do teu lado mais femenino com o bom-senso. Não podes ser de extremos. Nem pensar uma coisa e dizer outra. Não te leva a lado nenhum. Sou serve para criar mais complicação. Nós também não somos obrigados a adivinhar tudo à primeira e temos os nossos próprios problemas, que não são tão infantis e senis como isso. Apenas incompreensíveis para vocês. Tal como muito do que vocês fazem é incompreensível para nós.

V. disse...

nuno r quanto à questao dos homens é obvio que utilizei a ironia e o exagero, as coisas nao sao tao lineares quanto isso :)

Nuno R disse...

Ainda bem que pensas assim. È que, infelizmente, há muita gente que têm essa convicção.

Marianinha disse...

gostei ainda mais do facto de assumires isso tudo, que também és complicada e de teres a capacidade de "voltar ao teu eu" e "pensares de ti para ti" :(
beijinho*

Wilson disse...

Como já explicaste a questão dos homens ao Nuno R, não vou tocar nesse assunto.

É certo que há homens e homens (uns mais infantis que outros) assim como há mulheres e mulheres.

E no fundo ambos os sexos são complicados: os homens também têm os seus problemas. Eu tenho alguns, para não dramatizar :P

Gostei :D

Beijo ;)

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