domingo, 1 de março de 2009

Milk

Quando eu era pequena acreditava que um dia iria conseguir mudar o mundo. Tinha a ingénua convicção de que iria ser a voz das minorias, dos desamparados, dos necessitados. Sonhava com isso. Hoje ainda continuo muito pequenina é certo, mas infelizmente já não possuo esse véu que me tapava a cinzenta realidade.
Sou impotente. Nada posso sozinha. Todavia, numa outra era, num outro país, numa outra vida talvez tivesse a coragem e força necessárias para me dedicar às grandes causas. À medida que o tempo passa vejo como os Homens são mais frágeis, surpreendentes, cruéis, falsos e mesquinhos. Nós temos mesmo o mundo que merecemos e esse mundo não é cor-de-rosa, definitivamente.
Vi hoje este grande filme, com este enorme actor que é o Sean Penn à frente de um elenco igualmente fantástico. É arrepiante. Entrou para o leque dos meus favoritos, porque personifica tudo aquilo em que eu acredito: liberdade e igualdade para todos. Sou uma feminista assumida e repito: vivesse eu noutra realidade e era uma revolucionária tanto nas questões dos direitos das mulheres, dos homossexuais e por aí fora. Harvey Milk era um homem brilhante, um herói. E, assim como ele, apetecia-me gritar bem alto para acordar as almas que estão adormecidas no fundo desta humanidade. Posso parecer ridícula e uma idealista incurável, mas quero sê-lo, porque sei que eu é que estou certa.
Não sei o que o futuro me reserva. Não sei se farei grandes coisas. Não sei se serei mais uma cobarde para se juntar ao rol deste mundo. Não sei. Penso no presente, penso do alto das minhas dezoito Primaveras. O que vejo não me agrada, nem é nada colorido e, por isso, tenho medo. Pudesse eu pintar outra realidade.
Quando eu era pequena acreditava que um dia iria conseguir mudar o mundo. Hoje acredito na esperança.
«Without hope, life's not worth living.»

9 comentários:

U disse...

Pergunto-me. Que era de nós sem esperança?
*

U disse...

Ai não digas isso! Só me atormenta mais!
LOL :x nem mais, por isso há que lutar por nós, se cada um de nós fizesse isso, talvez o mundo estaria bem melhor.. digo eu *

Maria disse...

Também vi o Milk e adorei. Ver o quanto evoluímos é deveras enternecedor *ironia*
Sei que sou um ponto minúsculo mas não deixo de fazer aquilo que considero correcto, embora muita gente não o faça porque acha que não vai mudar nada. Isso é um conformismo inaceitável. Reciclo, poupo água, tento ser justa e tratar todos com a igualdade que merecem...e mesmo que as minhas acções não tenham as repercussões desejadas continuo a fazê-lo porque faz parte de mim. E acredito sinceramente que faz a diferença. *

Nuno, apenas Nuno. disse...

Eu vou ver daqui pouco V. :)

Wilson disse...

"vivesse eu noutra realidade e era uma revolucionária tanto nas questões dos direitos das mulheres, dos homossexuais e por aí fora."

É assim mesmo, V!

pinguim disse...

é certo que sozinhos não vamos mudar o mundo, mas um a um vamos fazendo a diferença.
a diferença começa assim mesmo, só por uma pessoa e as outras vão se juntando.
Se sempre pensarmos que nao vale a pena, nada se começará.

um beijinho :) *

LM disse...

Juntos vamos conseguir mudar o mundo! Eu (tambem) acredito :)

Nuno R disse...

"Quando eu era pequena acreditava que um dia iria conseguir mudar o mundo. Hoje acredito na esperança." - Excelente frase, pode ser que aos poucos juntemos a esperança de muita gente e aí sim possamos mudar o mundo. Até lá, vamos tomado exemplos destes.
Também já falei sobre este filme no meu blog há um tempo. No mesmo post falei sobre a nova primeira-ministra da Islândia, é lésbica assumida. Um outro exemplo de coragem e de que o mundo não está perdido de todo.
Quanto ao filme em si, Sean Penn é um actor incrível e Gus Van Sant o meu realizador favorito. "Gerry" e "Paranoid Park" são dos meus filmes favoritos, e também adoro "Descobrir Forrester. Só não são mais porque ainda não tive oportinidade de olhar para outros títulos.
P.S: Parabéns, este blog continua a falar sobre grandes causas e sempre duma forma séria sem ser secante. :D

Nuno R disse...

Essa frase é espectacular e muito verdadeira. Há coisas muito mais verdadeiras que as palavras. A maneira duma pessoa olhar, a forma como mexe as mãos e mostra os seus medos escondo-as ou usando-as para falar, a maneira como o cabelo se mexe ou mexem nele. Mas isso é tudo por gestos, para um escritor, a único forma, é o silêncio, como diz o Lobo Antunes, «encher os livros de silêncio».

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