domingo, 18 de janeiro de 2009

Ser e não ser


Engraçado, dei por mim a perguntar-me o porquê de escrever num blog. Ponderei.
Primeiro. Comunicar com pessoas não é difícil, o que é difícil é conseguir a comunicação com as almas. Segundo. Traduzir com engenho o que somos ou queremos dizer, para lá do aparente, das acções, do que se diz, é-o ainda mais custoso.
Obrigo-me a analisar retrospectivamente a minha vida. A pensar sobre os meus sonhos e desejos presentes e futuros. Mais. Escrever/falar sobre o que somos não é suficiente se não existir alguém algures que o consiga enxergar. E, verdade seja dita, o que somos ninguém nos tira, o que vivemos ninguém nos tira, nem ninguém o consegue adivinhar totalmente. Falta, num mundo ocidental e dado ao umbiguismo, a atenção, sobretudo a atenção, muito mais do que a cultura, a curiosidade ou a intuição. As palavras são sempre insuficientes para descrever com fidelidade uma alma. Revelam-se diminutas, inexistentes, por mais rica e variada que seja uma língua. Mas não deixam de ser necessárias.
Por pensar que pareço, muitas vezes, ilegível aos olhos dos outros, escrevo. Para mim e para os outros. Para mostrar o que sou e o que não sou. Todos o que nos damos a estas andanças escrevemos e ficamos à espera que percebam, ou que aceitem, ou que invejem, ou que discordem mas, acima de tudo, que haja alguém que não nos esqueça no mundo imenso, em que somos tão pequeninos. Por outro lado, em certos dias tão-pouco queremos saber dos outros, funcionando apenas como um diário.
É tendencioso. Os bloggers, de uma maneira geral querem dar a sua perspectiva sobre as mil e uma perspectivas viciadas do mundo, do nosso pequeno e chegado ou grande e remoto mundo. É muitíssimo complicado vestir a pele do outro para poder interpretá-lo. Os sinais que emitimos não são todos iguais e é errado tentar lê-los à luz dos nossos. Palavras, mas principalmente silêncios não são fáceis de assimilar. Traduzimos a maioria das vezes os silêncios como indiferença, mas esquecemo-nos do que está por detrás. Ninguém é indiferente só porque não profere palavras. Um silêncio poder ser uma exaltação, um sentimento de ódio ou raiva, bloqueio, regozijo, serenidade, angústia, sofrimento, frustração, alegria. A luta interior invisível é o contraste ao que imaginamos, ao que temos por indiferença.
Ao escrever chegamos mais perto de nós e do que imaginam (ou não) de nós. Como diz o Saramago: «A verdade é apenas meio caminho, a outra metada chama-se credibilidade». E é isso, digo as minhas verdades na esperança de me tornar credível aos olhos de todos, incluindo moi-même .

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