Ontem encontrei o meu melhor amigo de infância no metro. Melhor dizendo, de infância não: encontrei o meu melhor amigo, ponto. Não falávamos há quase um ano, logo a seguir ao meu aniversário. Vi-o à poucos meses, de longe, numa ida ao teatro, mas só conseguimos trocar acenos desesperados.
O meu melhor amigo é a melhor pessoa que eu conheci em toda a minha vida. Pode parecer um lugar comum escrever isto, mas a verdade é que o sinto, de facto. Nunca conheci ninguém com um coração tão grande, com uma alegria de viver, um sorriso, um carisma como ele. Conhecemo-nos com cerca de três anos, andámos juntos na pré-primária, separamo-nos na primária e voltámos a encontrar-nos do quinto ano ao décimo. Anos depois, e agora em retrospectiva, penso o quão bons foram esses anos de convivência, o quanto crescemos e aprendemos, o quanto mudámos. Dei-lhe na cabeça quando começou a fumar, zangou-se comigo quando não estava a ir pelo caminho certo, chorei com ele quando contou o que sofreu quando o pai faleceu. Sempre me apoiou acima de tudo e sem cobrar nada, sempre me elogiou, sempre me fez sorrir. Recebi dele os melhores abraços do mundo, dávamos beijos na boca sem qualquer tipo de teor sexual, mas que deixavam namorados desconfiados compreensivelmente. Tantas memórias, tantos momentos.
É por ele que eu acredito que pode existir amizade entre os dois sexos. Costumava dizer-lhe que era perfeito demais para me poder apaixonar por ele e era verdade. Era apenas amizade pura, é apenas amizade pura. Mas a vida não pára e as nossas vidas mudaram muito, reféns de escolhas que fizemos. Ele seguiu o caminho dele, é um actor, um artista, um sonhador como sempre foi. Eu segui o meu, sempre de pés bem assentes no chão e sem saber bem o que quero, paradoxalmente. E de repente, ei-lo ali à minha frente, igual, o cabelo diferente, apenas. Corri para ele, dei-lhe o abraço mais apertado que consegui e pusemos a estação de metro a olhar para nós. Foram apenas cinco minutos, não mais do que isso. De novo a vida conspirou contra nós, ele apanhou o metro dele e eu continuei a esperar pelo meu. Foram cinco minutos duma mesma cumplicidade. O mesmo carinho, a mesma vontade, o mesmo amor. Foi como se o último ano não tivesse acontecido. Era a mesma intimidade, uma rara intimidade que nos prende mesmo na ausência, não havia nada que não lhe dissesse se tivesse tempo.
Ficaram as promessas de lutar contra o tempo, de arranjar um tempinho para aniquilar as saudades. Não sei se são saudades, porque não sou saudosista e basta-me saber que ele é feliz e está bem mesmo longe. Mas quero contar-lhe tudo de mim e saber tudo dele.
(Eu sei que percebias se me lesses aqui. Um dia.)
7 comentários:
Que lindo! Amizade, a verdadeira amizade é isso mesmo. Lindo lindo, adorei ler :D
Beijinho *
Quem me dera ter o meu melhor amigo outra vez comigo :x *
Reféns da vida, amigos de sempre.
Juro-te que me vieram as lagrimas aos olhos! És linda :')
amigos para de sempre e para sempre, parece-me:)
eu adorei ler este! a sério.
tocou-me mesmo! *
este tocou-me profundamente *
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